Nunca consegui criar um Bonsai. Comprei vários… e deixei morrer tantos quanto comprei.
Ontem conheci o Joaquim, candidato a um projeto de Executive Search que estou a gerir. Apresentou-se com três itens apenas: “Sou o Joaquim, tenho 47 anos e sou bom rapaz.” Curto e direto. Imediatamente percebi que estava perante alguém de poucas palavras, mas a curiosidade falou mais alto e quis conhecer o Joaquim para além dessa primeira impressão.
Durante a nossa conversa, ficou claro que o essencial numa entrevista vai muito além de experiências ou competências técnicas. É preciso perceber a pessoa por trás do profissional.
O Joaquim contou-me sobre a sua vida, os valores que guia e a sua experiência. Em determinado momento, descreveu-se como “calmo e tranquilo”. Calmo e tranquilo? Isso traduz-se como? E em quê? Explorei mais. E foi aí que descobri algo inesperado: gosta de Bonsais e dedica-se a cuidar deles diariamente.
Partilhei-lhe a minha fraca habilidade com estas plantas, ele deu-me algumas dicas, e seguimos conversando por mais 45 minutos. Nesse tempo, percebi nuances importantes: atenção ao detalhe, capacidade de ouvir mais do que falar, dedicação e compromisso com o que assume, resiliência face a desafios e estabilidade profissional.
O Joaquim não é apenas um bom candidato, é alguém que, tal como um Bonsai, cresce com cuidado, paciência e atenção.
Talvez devêssemos todos voltar a tentar cuidar de um Bonsai. Não só para treinar a paciência, mas também para lembrar que o verdadeiro valor está nos detalhes e na dedicação silenciosa, qualidades que fazem toda a diferença, tanto na vida pessoal como profissional.
Por Telma Delgado, Business Director da Header




